segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

A moralidade dos imorais

Almeida Santos para Director Nacional da PSP… Já!

«Não se paga aos deputados o suficiente para que sejam todos apenas profissionais. Quanto às justificações para as faltas, é verdade que a sexta-feira é, em si própria uma justificação, porque é véspera de fim-de-semana. Eu compreendo isso. Talvez esteja errado que as votações sejam à sexta-feira. Não julguemos também que ser deputado é uma escravatura, porque não é, nem pode ser. É preciso é arranjar horas para a votação que não sejam as horas em que normalmente seja mais difícil e mais penoso estar na Assembleia da República».
(Almeida Santos e as faltas dos deputados)

Ser deputado é sem dúvida uma vida cheia de stress e por isso desgastante, as correrias, os estudos e projectos a apresentar sobre as diversas matérias, as comissões, as reuniões com as diversas entidades e os debates na AR, ocupam o dia-a-dia dos deputados. Nós compreendemos. O que não compreendemos é este argumento de um político que desempenhou cargos de relevância também na AR, para tentar explicar as faltas dos deputados.
O que o povo não compreende é que os deputados não desempenhem as suas responsabilidades, que exercem voluntariamente.

O que o povo não compreende é o porquê de todos os trabalhadores deste País serem obrigados a cumprir e assumir todas as suas responsabilidades, caso contrário são punidos disciplinarmente.

Quantos polícias são punidos disciplinarmente, com redução do seu vencimento ou com avaliações insuficientes, por bem menos?

Aquilo a que temos assistido, vindo de todos os quadrantes da nossa mais célebre elite, é uma venda constante da moral, denegrindo quantas vezes todos os trabalhadores da função pública, chamando-os à razão pela sua deficiente formação, pela falta de profissionalismo, ou mesmo pelo absentismo.

Até na PSP já se tenta descridibilizar o sindicalismo pelos abusos na utilização dos créditos sindicais por parte dos dirigentes ou delegados. Também eu sou da opinião que os créditos sindicais devem servir a desenvolver a actividade sindical e é reprovável a sua utilização em proveito próprio, mas depois desta e de outras situações que moral se pode ter para sensibilizar os menos cuidadosos nessa utilização?

Mas fazendo uma comparação, simplista, entre o deputado e o profissional de polícia, segundo a argumentação de Almeida Santos vamos encontrar várias semelhanças, senão vejamos:

- Não se paga suficientemente aos deputados para que sejam todos apenas profissionais, o mesmo acontece, com maior gravidade, com os profissionais de polícia;

- Sexta-feira é por si só uma justificação para faltar, na PSP também existem sextas-feiras, assim como todos os outros dias da semana;

- Talvez esteja errado fazer votações à sexta-feira, ou seja (no caso PSP), talvez esteja errado estar escalado para fazer serviço à sexta-feira, porque como acontece com os deputados, ser polícia não é (aqui prevalece a dúvida no caso PSP) nem pode ser uma escravatura;

- (proposta de A.Santos) O que é necessário é arranjar horas para votação que não sejam as mais difíceis ou penosas para estar na AR.

(proposta adaptada à PSP) - pessoal vamos todos embora, a PSP aguardará todos os profissionais, todos os meses, no dia 21 às 10h00 para entrega do recibo de vencimento.

Mas chegamos assim rapidamente à conclusão que afinal, nós os de poucas habilitações, os de parcos recursos, os denominados de povinho, somos afinal os únicos que ainda tem valores que ultrapassam os interesses pessoais e que ainda vamos zelando por um País que está saturado de moralistas.

5 comentários:

Anónimo disse...

NÓS POR CÁ já deveriamos ver com alguma naturalidade a sofisticada retórica dos que sugam este país. Veremos nas próximas eleições se o povinho faz o donwload do "MANUAL DA LUCIDEZ" de José Saramago, atravez do Magalhães está claro, e dá a resposta a esses bastardos para não lhes chamar...

Helder Moleta disse...

Caro Companheiro e Amigo
É com imenso gosto que envio este meu humilde comentário sobre uma notícia, que vindo de quem veio não me causou qualquer preplexidade.Considero a tua análise e adaptação comparativa, entre a o "trabalho" dos Deputados e nós Polícias, muito bem feita.
Se nós tivessemos todos os direitos e ganhassemos o mesmo que os Senhores deputados, não tenho dúvidas que nós seriamos a os melhores Profissionais de Polícia da Europa e até do Mundo, pois se com as condições precárias em que muitos de nós trabalhamos conseguimos prestar de uma maneira geral um BOM SERVIÇO PÚBLICO, a uma população que por vezes não consegue reconhecer os sacrifíçios,(por falta de uma informação isenta do meios de Comunicação Social,de uma maior abertura e proximidade da Instituição Policial)que todos nós fazemos diáriamente, enquanto uns dormem,divertem-se passeiam com a Familia, tentamos nós garantir a sua Segurança, com as Leis aprovadas pelos os Senhores Deputados que por vezes "estão na Assembleia da República, a fazer não sei o ................"
Mais não digo, pois teria que tocar em alguns temas e assuntos que infelizmente não posso.

Anónimo disse...

Amigo Paulo:Depois de 25 anos de serviço na PSP, se contasse o que ví e ví fazer,se calhar era supostamente preso, ou acusado de Comunista!ou sei lá que mais!Quanto á comparação dos Policias com os Deputados,existem muitas diferenças! é que " eles " só vão para lá se nós o POVO, quizermos, e os Policias embora tmbém venham para cá voluntários, acabámos por ter que lidar com eles, que depois da Legislatura, até nem lhes passamos " cartão ".E, ao lidarmos com os deputados, tal como a ASPP fez e tem feito e a meu ver é lógico que assim seja, por vezes acabámos por ficar a perder! quase sempre!Com a saudosa "cena" dos secos e molhados POLICIAS serem presos por lutarem pelos seus direitos,acabamos por ganhar alguma coisa a seguir, com a entrada para o Governo do PS, mas ficamos hipotecados aos mesmos!Libertaram todos os Policias, acabou o medo de serem expulsos, deram.nos um Sindicato, sem direito a greve!!! sabe o que dizem s politicos do PSD?, aguentem/se com eles!!! e foi ao que chegamos!!!

Carlos Oliveira disse...

Estimado colega,
Afinal o Dr. Almeida Santos tem muita razão, isto de ter só fins-de-semana e feriados é muito pouco! Então eles querem regulamentar um novo horário para fazer menos! Penso que não seria má ideia, sugerir aos nobres "escravos" que primeiro regulamentem o horário na polícia, que aprovem o pagamento das horas extraordinárias feitas pelos polícias. Enquanto assim for julgo também, que ser policia é uma escravatura, mas que não será, nem poderá assim continuar! Aqui fica a minha admiração ao Dr. Almeida Santos, pode ser que venha a agendar a discussão e aprovação do HORÁRIO DE TRABALHO para os POLICIAS!
Carlos Oliveira

Anjo Amado disse...

--- Relativamente a horários sou de opinião que os horários deveriam ser de 8 horas e não de 6. Na base de p.e. 8/16 - 16/24 - 24/8 - MT - Folga. Dentro desta variante e de acordo com os trabalhadores tanto poderia ser com 1 dia em cada turno ou 2. Com 1 dia fica-se com 48 horas para mudança e folga, com 2 dias com 96 horas.Por alguma razão vários sectores de actividade trabalham nesta carga horária. Não devemos colocar horários rígidos a nível nacional, mas sim uma carga horária mensal p.e. 144 horas. Existem diversas vantagens num horário de 8 horas, quer a nível operacional, quer de satisfação dos polícias. Encontro-me diponível para a fundamentação das mesmas.
- Contactos para Ch. Amado - 133363 (CD Coimbra) ou para zimute@gmail.com