terça-feira, 4 de novembro de 2008

ATÉ QUE A VOZ NOS DOA


Vivemos de facto na era da comunicação e informação, sem dúvida, …ainda bem.

Há muitos anos atrás quando os Portugueses viviam felizes, sem poder gastar dinheiro indevidamente, quando os Polícias eram escravizados com 2 folgas mensais na melhor das hipóteses, que eram sujeitos por imposição à subserviência e servilismo Hierárquico, à arrogância, ao desprezo e mesmo ao enxovalhamento, quando tinham directivas muito precisas de defenderem a vontade hierárquica normalmente através da repressão e claro em desfavor dos cidadãos que se habituaram a olhar a nossa Polícia com medo e quantas vezes até ódio.

Esses eram os bons e velhos tempos, os Polícias não tinham dinheiro para comer, mas podiam agredir os cidadãos indiscriminadamente sem terem de justificar, não tinham dignidade perante a população, mas impunham autoridade sem ressentimentos, eram pisados e enxovalhados pela hierarquia menos informada, mas em contrapartida eram premiados (os menos informados) com um lugar atrás da secretária ou na secção de obras da Polícia, trabalhavam 28 ou 29 dias por mês, mas tinham como consolo, ainda, os bares dentro das Esquadras que íam servindo como que de apoio psicológico se tratasse, não tinham o direito de falar ou mesmo dar opinião, mas também não existiam os indesejáveis jornalistas para porem a claro todo o tipo de irregularidades ou a tradicional gestão ao estilo minifúndio que florescia na Instituição, eram em conclusão nem mais nem menos tratados como seres inferiores, desprovidos de inteligência ou razão, apelidados quantas vezes de asnos, mas em contrapartida, como dizem, ainda hoje, alguns, “HAVIA RESPEITO”.

Mas esquecem-se esses que, respeito não é reflexo do medo, respeito é reflexo de justiça, de razão, de civilismo, de formação e sobretudo de educação, algo que vai faltando, também hoje na PSP, até porque o respeito não se impõe, conquista-se.

Mas se os tempos referidos já lá vão, hoje, temos assistido a uma critica constante à comunicação social, por parte da Administração, no tocante à mediatização do resultado dos crimes mais graves, tratando os jornalistas de alarmistas, senssacionalistas e até de culpados pela frequência dos acontecimentos do foro criminal. Um discurso já bastante conhecido e que tem servido para as elites da PSP rotular pejorativamente a ASPP/PSP.

Não fossem as últimas e rotineiras operações policiais, que mais parecem pequenos trechos de um filme, para todos percebermos que afinal, a coerência é algo de dificil a praticar, e que afinal a comunicação social, os jornalistas são de facto imprescindiveis na sociedade actual. Afinal os criticos do alarmismo, das intervenções dos dirigentes da ASPP/PSP na comunicação social, vão aproveitando a seu proveito quando bem lhes interessa os benefícios da CS, bastava só um pouco de coerência para percebermos que na sociedade, todos nós temos um papel a desenpenhar, respeitando cada um o dos outros por muito que a nossa opinião por vezes choque ou não com interesses.

No entanto, o jornalismo não é mais do que um meio de vigilância do poder, político e económico, investigando e informando, os jornalistas não fazem mais do que o que a Democracia lhes pede em benefício e para o bem de todos os Portugueses.

Os cidadãos tem o direito de saber o que se passa no seu País, tem o direito de saber como é que as Forças de Segurança estão a ser geridas, como actuam, como cumprem o seu dever e por fim tem o direito de saber para onde vai o dinheiro dos seus impostos.

Também aqui a ASPP/PSP tem um dever para com os cidadãos, a de alertar a sociedade civil da forma como a PSP tem sido gerida, politica, financeira e estratégicamente, o porquê da dificuldade em prestar um serviço que corresponda aos anseios da sociedade em matéria de segurança, da forma como os seus profissionais são tratados e o reflexo que isso trás à qualidade do serviço, são estas algumas das questões ás quais os cidadãos esperam respostas, são a essas perguntas ás quais temos a obrigação de responder.

Doa a quem doer, a ASPP/PSP continuará o seu trilho, mesmo contra aqueles que diariamente falam em Democracia mas que raramente a previligiam.

Estamos na era do pós-modernismo, do pós-socialismo, esperemos no entanto não estar na era do pós-democracismo, e percebermos que os teóricos pró-democratia, não sejam afinal democratas com vontades de ditadura.

Para o bem de todos estaremos atentos, creiam nisso…

5 comentários:

Domingos disse...

Caro amigo e colega de profissão obrigado por ainda acreditáres! Já temos tanto de história e tampouco de evolução. Longe deveriam ir os tempos em que o policia tivesse medo, mas não! Para mostrar a nossa raiva, o nosso descontemtamento, os nossos receios, etc. temos que nos socorrer desses que tanto nos ajudam como nos desacreditam, estou a falar, é claro, dos jornalistas. Mas porquê vendados ou então com voz distorcida? Porquê esse medo se combaremos os bandidos da pior espécie? A liberdade de expressão só chegou para os jornalistas, para o cidadão, para o bandido??? Temo o pior para nós. Vejo muita gente a abandonar o barco porque somos o parente pobre desta nação que lembra mais rápido contra-ordenação a que foi sujeito do que aos furtos que se previne diariamente, aos bens que são recuperados, aos sacanas que são detidos, ás mortes ou agressões de que somos vitimas. Para acabar peço que me desculpes alguns erros ortográficos ou de construção sintáctica pois o governo preocupa-se mais com Showoff do que a verdadeira preparação da nossa qualidade profissional. Terá ele uma NOVA OPORTUNALIDADE para nós? Aquele abraço.

NP disse...

Claro, verdadeiro, actual!
Bom camarada, deves continuar esse trilho. Quando nao tiveres mais força, entrega essa continuidade a alguém que ãda tenha de contrafeito mas tudo de original.
Vejo, leio e considero, acima de tudo, que estão expostos os princípios mais claros e inequívocos da Democracia.

Abraço

M. Cunha Pinto disse...

Uma leitura que nem precisa de ser muito atenta a este comentário leva-me a concluir que ainda há muitos velhos do Restelo no seio da nossa Policia. Ressalta do texto que a vontade vai permanecer indómita daqueles que abraçam o sindicalismo em geral e a ASPP /PSP em particular. Mas têm que lutar muito. E isso vê-se, sente-se ao longo dos ainda poucos anos mas plenos de conquistas para bem dos agentes mas sobretudo para bem da nossa sociedade. Um policia consciente, respeitador e democrata é bem mais importante do que um policia sem directrizes democráticas, sem respeito, com condicionalismos mentais. E, infelizmente, há ainda muito caminho a desbravar no seio das várias dezenas de milhar de agentes quer da PSP quer da GNR. Sou um cidadão comum e nada me faz defender a corporação senão o direito a ter segurança mas também democracia. E aos agentes não é apenas pedida (ou exigida) segurança e ordem mas também democracia. Tenho a esperança que aqueles que gastam alguns minutos do seu descanso a ler este meu comentário saibam perfeitamente o que quer dizer demos + cratia . Ora, democracia deve ser uma responsabilidade de todos, isto é, todos devemos contribuir para que ela se cimente, se fortaleça.
Aquilo que li neste blog faz-me pensar que ainda há muita gente dentro da PSP que não sabe nem quer saber o que isso quer dizer. E vai daí, desata a criticar os responsáveis pela instituição ASPP /PSP a quem deveriam estar imensamente gratos pelo papel interventivo que têm vindo a desenvolver. E não apenas junto dos superiores ou dos areópagos administrativos ou governativos mas também junto dos policias e dos cidadãos.
Confesso, fico triste com o quadro que adivinho está por detrás deste blog. Será que ainda há policias que não perceberam que estamos no sec . XXI, que estamos a viver em Estado de Direito, que a democracia é o pano de fundo da nossa acção cívica?
Deveriam perguntar-se, isso sim, se aos actuais dirigentes da ASPP /PSP virão a suceder-se outros cuja força, empenho, determinação, garra, vontade de vencer contra tudo e contra todos (...em democracia), virão outros seus iguais. Isso é que é preocupante.

jose antonio disse...

Apenas para ter conhecimento, http://portugalpsp.blogspot.com irei continuar a ler o seu blog e comentar ,espero que faça o mesmo.

Anónimo disse...

o pior de tudo isto é que os velhos do Restelo são novos em idade