quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Era uma vez...

“Os poderosos podem destruir uma, duas, até três rosas, mas jamais poderão deter a primavera.”
(Che Guevara)

Pedem-nos mais responsabilidade, mais disponibilidade, exigem-nos mais e mais, aqueles que à moral devem tudo…
O que nos resta... a força da razão, hoje como ontem o caminho é o mesmo, saberemos continuá-lo?

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

“O Triunfo da Revolta”


Costumamos ouvir uns e outros, dentro e fora da Instituição PSP, com discursos politicamente correctos, discursos que normalmente são bem recebidos por um lado e pelo outro, o que leva por vezes à incoerência.

Até eu, que sou um Zé de fraca formação e de família humilde, sei que mais tarde ou mais cedo não se consegue estar ao mesmo tempo de bem com Deus e com o Diabo, aqui é só mesmo uma questão de tempo.

Eu que me considero homem de bom senso, compreensivo e exageradamente paciente, fico extremamente consternado quando essas “minhas qualidades” são aproveitadas para tricotar estratégias como se se rodopiasse à volta de um asno.

O facto que me preocupa não é a comparação ao animal, o qual prezo bastante, mas sim o reflexo que a comparação pode vir a ter, até mesmo de um asno.
O pior que pode suceder a uma Instituição é alguém criar um campo de batalha sem intenção de ir batalhar, questionar e não querer resposta, é exigir sem querer que se cumpra, é saber dos problemas e continuar a alimentá-los, é ter a solução nas mãos e escondê-la atrás das costas…

Estes são simplesmente os condimentos necessários para se criar uma bomba relógio, na qual também o tempo é a questão fulcral.

Criaram-se organizações classistas com objectivos de sacudir os de outro ofício, deu-se esperança, aumentou-se a confiança, mas o teatro parece-me embicar na mensagem de um pequeno mas célebre romance de George Orwell ( “T.P.”).
Nesse romance (uma alegoria), o resultado inicial conquistado através da revolta é a de grandes ideias, intenções e nobres valores, mas pouco tempo depois, termina praticamente como tudo começou.

Os principais actores da revolta acabam por se servir e favorecer os mais fortes, começa por se impor o medo e a opressão que rapidamente se sobrepõem ao bom senso e inteligência, multiplicam-se as cerimónias, estimula-se a ignorância para controlar, ou seja, violam-se todos os princípios a que se tinham proposto.
Apesar de não ser adepto de revoltas, reconheço que só uma revolta pode terminar o resultado da anterior.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

A moralidade dos imorais

Almeida Santos para Director Nacional da PSP… Já!

«Não se paga aos deputados o suficiente para que sejam todos apenas profissionais. Quanto às justificações para as faltas, é verdade que a sexta-feira é, em si própria uma justificação, porque é véspera de fim-de-semana. Eu compreendo isso. Talvez esteja errado que as votações sejam à sexta-feira. Não julguemos também que ser deputado é uma escravatura, porque não é, nem pode ser. É preciso é arranjar horas para a votação que não sejam as horas em que normalmente seja mais difícil e mais penoso estar na Assembleia da República».
(Almeida Santos e as faltas dos deputados)

Ser deputado é sem dúvida uma vida cheia de stress e por isso desgastante, as correrias, os estudos e projectos a apresentar sobre as diversas matérias, as comissões, as reuniões com as diversas entidades e os debates na AR, ocupam o dia-a-dia dos deputados. Nós compreendemos. O que não compreendemos é este argumento de um político que desempenhou cargos de relevância também na AR, para tentar explicar as faltas dos deputados.
O que o povo não compreende é que os deputados não desempenhem as suas responsabilidades, que exercem voluntariamente.

O que o povo não compreende é o porquê de todos os trabalhadores deste País serem obrigados a cumprir e assumir todas as suas responsabilidades, caso contrário são punidos disciplinarmente.

Quantos polícias são punidos disciplinarmente, com redução do seu vencimento ou com avaliações insuficientes, por bem menos?

Aquilo a que temos assistido, vindo de todos os quadrantes da nossa mais célebre elite, é uma venda constante da moral, denegrindo quantas vezes todos os trabalhadores da função pública, chamando-os à razão pela sua deficiente formação, pela falta de profissionalismo, ou mesmo pelo absentismo.

Até na PSP já se tenta descridibilizar o sindicalismo pelos abusos na utilização dos créditos sindicais por parte dos dirigentes ou delegados. Também eu sou da opinião que os créditos sindicais devem servir a desenvolver a actividade sindical e é reprovável a sua utilização em proveito próprio, mas depois desta e de outras situações que moral se pode ter para sensibilizar os menos cuidadosos nessa utilização?

Mas fazendo uma comparação, simplista, entre o deputado e o profissional de polícia, segundo a argumentação de Almeida Santos vamos encontrar várias semelhanças, senão vejamos:

- Não se paga suficientemente aos deputados para que sejam todos apenas profissionais, o mesmo acontece, com maior gravidade, com os profissionais de polícia;

- Sexta-feira é por si só uma justificação para faltar, na PSP também existem sextas-feiras, assim como todos os outros dias da semana;

- Talvez esteja errado fazer votações à sexta-feira, ou seja (no caso PSP), talvez esteja errado estar escalado para fazer serviço à sexta-feira, porque como acontece com os deputados, ser polícia não é (aqui prevalece a dúvida no caso PSP) nem pode ser uma escravatura;

- (proposta de A.Santos) O que é necessário é arranjar horas para votação que não sejam as mais difíceis ou penosas para estar na AR.

(proposta adaptada à PSP) - pessoal vamos todos embora, a PSP aguardará todos os profissionais, todos os meses, no dia 21 às 10h00 para entrega do recibo de vencimento.

Mas chegamos assim rapidamente à conclusão que afinal, nós os de poucas habilitações, os de parcos recursos, os denominados de povinho, somos afinal os únicos que ainda tem valores que ultrapassam os interesses pessoais e que ainda vamos zelando por um País que está saturado de moralistas.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

"O tradicional reconhecimento"



Já não é novidade falar-se de instabilidade nas relações interpessoais e do mau ambiente entre o efectivo da PSP em alguns Comandos ou Unidades de Polícia. As dificuldades financeiras, o stress da profissão, a falta de condições de trabalho, os direitos perdidos e as injustiças constantes tem aumentado consideravelmente o mau estar.


Quantas vezes apelamos ao bom senso dos colegas de trabalho e especialmente dos superiores hierárquicos, para a necessidade urgente de criar ou contribuírem para um ambiente estável e equilibrado nos locais de serviço. Mas, a importância de reconhecer o trabalho, sacrifício e até o risco de vida em prol da segurança dos cidadãos, aos profissionais, por parte da hierarquia, é de alguma forma contrariar o mau ambiente e contribuir para a motivação dos profissionais que servirá de referência para a conduta dos demais elementos.


Todos nos lembramos da frase proferida pelo sr. ministro da Administração Interna, dr. Rui Pereira aquando dos acontecimentos de Viana do Castelo, no assalto a uma ourivesaria, em 2007, louvando a actuação da PSP desse Distrito e em particular a do Agente-principal Filipe Alves: “Os polícias (de Viana do Castelo) deram o peito às balas”. De facto, foi literalmente assim. O Agente, com precaução mas sem medo, enfrentou os criminosos armados até aos dentes; depois de baleado ainda encetou perseguição, ensanguentado, começou por desfalecer, sendo posteriormente conduzido ao Hospital.


As críticas, negativas, por parte de alguns cidadãos, nomeadamente do dono da ourivesaria, foram direccionadas ao Comandante do Comando Distrital de Viana do Castelo, pela sua atitude na gestão da situação pós-ocorrência. Críticas, no meu entender, infundadas e injustas.


Mas, infelizmente, as palavras do sr. Ministro, apesar de terem sido expressivas e amplamente divulgadas, não chegaram à Direcção Nacional da PSP.


E mais uma vez os polícias confrontaram-se com uma realidade que tem feito tradição na PSP, atribui-se uma medalha ao sr. Comandante (provavelmente merecida) e esquece-se pura e simplesmente o homem que poderia ter perdido a vida no cumprimento da missão. Só gostaria de conhecer o argumento, perante factos, que vai ser apresentado pela PSP para justificar tal decisão.


A moral desta história é, sem mais nem menos, as palavras que ouvi quando cheguei à PSP e que condenei de imediato: “O melhor serviço é o que fica por fazer”. Depois deste resultado, o que se pode querer de um profissional minimamente consciente?

domingo, 9 de novembro de 2008

Profissional de Polícia nomeado Secretário-geral Adjunto do SSI

Poucos perceberam ainda como o Sistema de Segurança Interna - SSI vai funcionar, muito menos qual vai ser a postura do Secretário-Geral, como vai ser definida a coordenação, em que patamares de actuação as diversas Forças ou Serviços de Segurança vão intervir, mas sabemos que é uma forma perfeita de tornear a criação de uma suposta Polícia Nacional, não acontecendo pela falta de coragem demonstrada pelo Governo em 2006.

Apesar de não ser a favor, pelas diversas razões, de ordem ideológica ou mesmo de princípio, da criação de uma polícia única, como alguns defendem, concordaria no entanto com um modelo muito perto daqueles que têm dominado na Europa.

Mas, se as dúvidas sobre este SSI permanecem, pelo menos sabemos que a PSP está bem representada com o Intendente Paulo Lucas, que de facto tem demonstrado ser um excelente profissional nas diversas áreas. O equilíbrio que sempre soube manter entre as questões soció-profissionais e o cumprimento da missão da PSP, coadjuvado com a sua personalidade, fez dele um Comandante aos olhos dos seus subordinados.

Parabéns aos 3 homens que estiveram na base da sua selecção.
No entanto, preparem-se, começamos uma nova era no paradigma da Segurança Interna, na qual a capacidade de controlar os conflitos entre Polícias vai determinar o futuro das Instituições…

Falta agora saber qual a oferta que o Ministro da Administração Interna reservou para as outras Instituições da mesma natureza? Sim, não tenham, dúvidas, o Natal vem aí…
Apesar de as minhas expectativas serem muitas e grandes em relação ao futuro da PSP, sei que a próxima década nos reserva grandes mudanças. Falta saber se para melhor ou para pior.
Nós por cá, aguardamos com grande expectativa.

Ver noticia no site do MAI: http://www.mai.gov.pt/actualidades_d.asp?id=670

terça-feira, 4 de novembro de 2008

“As Instituições valem pelas atitudes dos seus profissionais… às vezes é uma pena”


Que existem diferendos entre os profissionais das várias forças e serviços de segurança, é um facto. Talvez por excesso de brio, por receio de perder o estatuto ou simplesmente pela resistência à mudança, quantas vezes em prejuízo da segurança pública e do cidadão. Apesar de não se compreender, ainda se pode tolerar.

Mas, que existam profissionais que para salvar a sua quintarola coloquem tudo em causa, o trabalho, a imagem e dignidade de outras Instituições ou pessoas, isso já é pura irresponsabilidade.

Em Janeiro do corrente ano, terminava um curso de quase 100 guardas prisionais, no Estabelecimento Prisional de Sta Cruz do Bispo – Matosinhos, onde entre as diversas disciplinas era ministrada uma cujo conteúdo programático tinha por base Estratégia de Negociação com Sequestradores ou Barricados.

O profissional convidado a ministrar essa importante disciplina era, nem mais nem menos, que um profissional da PJ que possui, segundo consta, também ele um curso de negociação.

Mas, mais que ministrar essa disciplina, o profissional referido revelou uma enorme apetência para denegrir a PSP e os seus profissionais, a sua competência e imagem, perante a quase centena de profissionais completamente abstraídas da realidade do funcionamento das forças e serviços de segurança, e nos verdadeiros intentos do (ir)responsavel, acreditando cabalmente na informação que estava a ser transmitida pelo formador.

Desde comentários jocosos, mentirosos e irresponsaveis não faltou nada para pôr em causa todos os profissionais da PSP e o seu trabalho, profissionais estes que quantas vezes arriscam a própria vida, durante meses, na recolha de informações que têm servido para a PJ terminar grandes serviços com pompa e circustância.

Como é evidente, entre os comentários, a autovalorização exacerbada ia tomando forma, convencendo facilmente os alunos que o seguiam com toda a atenção, de estarem perante um excelente profissional da Polícia Judiciária, contrariamente à opinião dos seus colegas de serviço.
Os exemplos de fracos resultados obtidos pela PSP nas negociações eram, segundo ele, devido à burrice e aos camelos dos profissionais da PSP.

Mas o animal em causa foi mais longe quando referiu que a culpa do descrédito das forças de segurança por parte dos cidadãos se devia aos elementos da PSP. Todos nós conhecemos bem o nosso trabalho (sem me referir aos dos outros), as dificuldades e até o esforço para cumprir a missão para o bem da comunidade e isso também é revelador de competência.

A Polícia Judiciária tem durante vários anos trabalhado para credibilizar a Instituição, o que, com o tempo, lhe deu dignidade e estatuto, orientando-se por valores como a Legalidade, Oportunidade, Justiça e Imparcialidade, Proporcionalidade e Integridade, mas não basta ter os valores bem escritos, é necessário sobretudo praticá-los, e não é com estas guerras de oportunismo ou má fé, reveladoras de falta de formação, que a PJ sai a ganhar.

Não tento com tudo isto vincar ainda mais o conflito, bem pelo contrário, mas é importante que os profissionais das diversas forças e serviços de segurança se preocupem em manter o equilibrio das relações institucionais e profissionais, para o bem de todos, inclusivamente daqueles que cada vez mais precisam da nossa atenção: os cidadãos.

E isto também é intregridade, justiça, legalidade e sobretudo responsabilidade.

ATÉ QUE A VOZ NOS DOA


Vivemos de facto na era da comunicação e informação, sem dúvida, …ainda bem.

Há muitos anos atrás quando os Portugueses viviam felizes, sem poder gastar dinheiro indevidamente, quando os Polícias eram escravizados com 2 folgas mensais na melhor das hipóteses, que eram sujeitos por imposição à subserviência e servilismo Hierárquico, à arrogância, ao desprezo e mesmo ao enxovalhamento, quando tinham directivas muito precisas de defenderem a vontade hierárquica normalmente através da repressão e claro em desfavor dos cidadãos que se habituaram a olhar a nossa Polícia com medo e quantas vezes até ódio.

Esses eram os bons e velhos tempos, os Polícias não tinham dinheiro para comer, mas podiam agredir os cidadãos indiscriminadamente sem terem de justificar, não tinham dignidade perante a população, mas impunham autoridade sem ressentimentos, eram pisados e enxovalhados pela hierarquia menos informada, mas em contrapartida eram premiados (os menos informados) com um lugar atrás da secretária ou na secção de obras da Polícia, trabalhavam 28 ou 29 dias por mês, mas tinham como consolo, ainda, os bares dentro das Esquadras que íam servindo como que de apoio psicológico se tratasse, não tinham o direito de falar ou mesmo dar opinião, mas também não existiam os indesejáveis jornalistas para porem a claro todo o tipo de irregularidades ou a tradicional gestão ao estilo minifúndio que florescia na Instituição, eram em conclusão nem mais nem menos tratados como seres inferiores, desprovidos de inteligência ou razão, apelidados quantas vezes de asnos, mas em contrapartida, como dizem, ainda hoje, alguns, “HAVIA RESPEITO”.

Mas esquecem-se esses que, respeito não é reflexo do medo, respeito é reflexo de justiça, de razão, de civilismo, de formação e sobretudo de educação, algo que vai faltando, também hoje na PSP, até porque o respeito não se impõe, conquista-se.

Mas se os tempos referidos já lá vão, hoje, temos assistido a uma critica constante à comunicação social, por parte da Administração, no tocante à mediatização do resultado dos crimes mais graves, tratando os jornalistas de alarmistas, senssacionalistas e até de culpados pela frequência dos acontecimentos do foro criminal. Um discurso já bastante conhecido e que tem servido para as elites da PSP rotular pejorativamente a ASPP/PSP.

Não fossem as últimas e rotineiras operações policiais, que mais parecem pequenos trechos de um filme, para todos percebermos que afinal, a coerência é algo de dificil a praticar, e que afinal a comunicação social, os jornalistas são de facto imprescindiveis na sociedade actual. Afinal os criticos do alarmismo, das intervenções dos dirigentes da ASPP/PSP na comunicação social, vão aproveitando a seu proveito quando bem lhes interessa os benefícios da CS, bastava só um pouco de coerência para percebermos que na sociedade, todos nós temos um papel a desenpenhar, respeitando cada um o dos outros por muito que a nossa opinião por vezes choque ou não com interesses.

No entanto, o jornalismo não é mais do que um meio de vigilância do poder, político e económico, investigando e informando, os jornalistas não fazem mais do que o que a Democracia lhes pede em benefício e para o bem de todos os Portugueses.

Os cidadãos tem o direito de saber o que se passa no seu País, tem o direito de saber como é que as Forças de Segurança estão a ser geridas, como actuam, como cumprem o seu dever e por fim tem o direito de saber para onde vai o dinheiro dos seus impostos.

Também aqui a ASPP/PSP tem um dever para com os cidadãos, a de alertar a sociedade civil da forma como a PSP tem sido gerida, politica, financeira e estratégicamente, o porquê da dificuldade em prestar um serviço que corresponda aos anseios da sociedade em matéria de segurança, da forma como os seus profissionais são tratados e o reflexo que isso trás à qualidade do serviço, são estas algumas das questões ás quais os cidadãos esperam respostas, são a essas perguntas ás quais temos a obrigação de responder.

Doa a quem doer, a ASPP/PSP continuará o seu trilho, mesmo contra aqueles que diariamente falam em Democracia mas que raramente a previligiam.

Estamos na era do pós-modernismo, do pós-socialismo, esperemos no entanto não estar na era do pós-democracismo, e percebermos que os teóricos pró-democratia, não sejam afinal democratas com vontades de ditadura.

Para o bem de todos estaremos atentos, creiam nisso…